Para Belizário, momento estimula reflexão e amadurecimento político

Por Marco Sobreiro

O presidente estadual do PV-SP, Marcos Belizário, vê o momento atual como um estímulo ao amadurecimento político sobre a importância do voto. Ele aponta problemas sérios na gestão Bolsonaro que, somados à crise econômica causada pela esquerda e à pandemia do novo Coronavírus, devem provocar na sociedade um momento de reflexão. Para Belizário, as pessoas certamente estão aproveitando a situação para pensar, ler e se atualizar, evitando assim que novas experiências políticas desastrosas aconteçam no futuro.

 

“O pior analfabeto é o analfabeto político”, afirma, mencionando a célebre frase do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Segundo Belizário, o Brasil saiu de uma gestão incompetente da esquerda para mergulhar de forma direta em um governo de direita, moralista e que, de forma contraditória, apresenta sérios problemas justamente no campo moral.

 

E isso criou o cenário propício para o desalento político, com muitas pessoas desanimadas e culpando a política de maneira geral por todos os problemas: “Como Brecht dizia, o analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política, e não sabe que da sua ignorância nasce o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista”, diz.

 

O presidente paulista do PV entende o momento como propício para que os brasileiros analisem as possibilidades políticas, evitando se contaminar por ideologias e radicalismos. “Digo isso acima da questão partidária e política, minha afirmação está ligada ao conceito da política como instrumento de transformação da sociedade. Nessa quarentena a que todos estamos submetidos, é importante se reciclar, ler e se preparar para escolher bem os próximos administradores, em todas as esferas”, observa.

 

Advogado e secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na gestão Gilberto Kassab, em São Paulo, Belizário entende que a sociedade quer melhorias urgentes em áreas vitais como saúde, educação e segurança. Na saúde, ele acredita que a crise desencadeada pelo novo Coronavírus vem estimulando uma notável mobilização que pode ser positiva quando a pandemia recuar: “Vemos técnicos bem preparados, como o ministro Luiz Henrique Mandetta, além de ações práticas que nos deixam mais esperançosos”, comenta.

 

Na área da educação, o presidente estadual do PV entende que o Brasil ainda está longe dos indicadores de Primeiro Mundo, graças a ações que infelizmente priorizaram questões ideológicas em detrimento de um ensino voltado para a formação dos alunos, com domínio em matérias elementares. E finalmente na área da segurança pública, Belizário vê o clamor da população pela redução dos indices de violência, mas faz um alerta, a partir de sua formação em Direito: “Não podemos combater a violência com outra violência. É preciso priorizar as ações de inteligência, que proporcionam excelentes resultados”, frisou.

 

Belizário lembra ainda que o PV foi o primeiro partido brasileiro a vetar qualquer possiilidade de aliança ou apoio à então candidatura de Jair Bolsonaro, muito antes de sua oficialização: “Nosso partido tem deputados federais, lideranças em Brasília, e todos conheciam a figura de Bolsonaro dos tempos da Câmara dos Deputados. As ofensas gratuitas, as declarações polêmicas, enfim, todos sabiam que ele não estava preparado