“Importômetro” têxtil

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Saldo negativo de mais de 20 mil empregos, um deficit de 4,7 milhões de dólares na balança comercial – o maior desde 2006 – e importações de mais de 6 milhões de dólares. São números alarmantes que demonstram a grave situação que a indústria têxtil e de confecção brasileira fechou o ano de 2011. Dados revelados pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) que, numa iniciativa inédita, inaugurou dia 17 em São Paulo o “Importômetro”, painel que contabiliza o número de importações de têxteis e de confeccionados e o número de empregos que deixam de ser gerados em consequência dessas transações.

Há quase 20 anos o setor vem perdendo força, mas continua lutando bravamente para manter sua produção. O lançamento da campanha nacional “Moda Brasileira: Eu uso, Eu assino”, organizada pela Abit e Sinditêxtil-SP, é mais uma tentativa de reverter esse quadro e sensibilizar o governo federal para o crescente número de importações desleais.

Em 2011, as importações – principalmente da China – cresceram 40,6%, enquanto a produção nacional têxtil caiu 14,7% e a de vestuário, 3,2%. Com a perda de competitividade da indústria brasileira, medidas de urgência precisam ser adotadas para o fortalecimento do setor. A Abit iniciou a coleta de assinaturas para levar ao Congresso Nacional pedido para mudança do regime tributário de importação de produtos têxteis.

Para ser apresentada à Câmara dos Deputados e tramitar como Projeto de Lei de Iniciativa Popular no Congresso, visando alteração na política de tributação, são necessárias mais de 1 milhão de assinaturas. Todos podemos apoiar essa iniciativa, em favor do emprego e da valorização da indústria nacional. Coloque um ponto de coleta de assinaturas na sua empresa, na faculdade, escolas técnicas, produtoras, pode ser assinatura física (em papel) ou pela internet. As orientações estão no site da Abit (abit.org.br/empregabrasil).

O presidente da Abit, Aguinaldo Diniz Filho, entre as suas colocações no lançamento da campanha, fez uma observação que destaco sobre a situação atual do setor diante do volume de importações: “lamentavelmente, o emprego não é gerado no Brasil. Ele é gerado na China”. Esperamos que o governo esteja sensível ao clamor da indústria têxtil, que não pede por vantagens, mas um tratamento justo e uma forma isonômica de competição, para que possa manter o emprego de mais de 1,7 milhão de pessoas.

** Chico Sardelli é deputado estadual (PV), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Têxtil e de Confecção