“O lugar da mulher é na política, e o PV trabalha para que isso aconteça”, afirma Ana Acilda

Por Marco Sobreiro

​Com esta frase a Secretária da Mulher do PV paulista, Ana Acilda Alves da Silva, define a importância da mulher na política e principalmente dentro do partido. Para a ex-vereadora e ex-secretária municipal de Ferraz de Vasconcelos, o papel feminino no processo eleitoral ainda é marcado pelo trabalho nos bastidores, mas essa realidade está mudando. E para que esse processo continue, é fundamental que os partidos lancem candidatas a todos os cargos públicos. No PV, essa visão é uma realidade.

​“No Brasil, os partidos ainda têm dificuldades para preencher a cota obrigatória de candidatas do sexo feminino, isso é uma realidade. As mulheres se acostumaram a atuar nos bastidores, apoiando e ajudando os candidatos homens. Temos mulheres com ótima formação, qualificadas, preparadas e que podem exercer cargos públicos com extrema competência. No PV, estamos trabalhando para isso e venho me esforçando pessoalmente para que essa tendência cresça cada vez mais”, afirma.

​Filiada ao PV desde 1995, Ana Acilda é um exemplo de que este cenário pode se tornar realidade. Mãe de quatro filhos e empresária, atuou no Legislativo e no Executivo e acumulou experiência administrativa. Ela afirma que é da natureza das mulheres desempenhar várias funções – e todas muito bem. “A mulher se desdobra o tempo todo, cuida da casa, dos filhos, atua em sua profissão e também tem condições plenas de cumprir um mandato público ou desempenhar uma função em primeiro escalão”, observa.

​O trabalho no PV acontece para facilitar essa realidade. Todos os diretórios municipais possuem Secretarias da Mulher e na própria criação dos Diretórios existe uma exigência para que 30% dos quadros seja de mulheres. No cotidiano, as lideranças femininas são observadas e, desde que compartilhem dos mesmos ideais do partido, recebem convites para integrar o cotidiano da legenda, participando de reuniões e debatendo políticas públicas nas áreas de sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e gestão eficiente, entre outras.

​Com a pandemia do coronavírus, analisa Ana Acilda, as mulheres estão sendo especialmente afetadas. Como por exemplo as professoras que não conseguem exercer suas funções e, por outro lado, milhares de enfermeiras estão se desdobrando no cuidado aos doentes: “O momento é de prioridade ao isolamento e respeito à ciência. O ano é eleitoral, mas as eleições estão em segundo plano, pois a vida é o bem maior de todos nós. Mas temos a convicção de que, quando tudo isso passar, o PV estará pronto para desempenhar um ótimo papel nas eleições, com muitas candidatas, e todas bem preparadas”, finaliza.




Amsterdã adota modelo de ‘rosca’ para consertar economia pós-coronavírus

Autoridades holandesas e economista britânica usam guia para ajudar cidade a prosperar em equilíbrio com o planeta

Autoridades holandesas e economista britânica usam guia para ajudar cidade a prosperar em equilíbrio com o planeta
 
Um donut preparado em Oxford guiará Amsterdã para fora da confusão econômica deixada pela pandemia de coronavírus.
 
Enquanto se esforçam para manter os cidadãos seguros na capital holandesa, autoridades do município e a economista britânica Kate Raworth, do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, também estão planejando como a cidade será reconstruída em um mundo pós-Covid-19.
 
A conclusão? Fora o apego global ao crescimento econômico e as leis de oferta e demanda, e o chamado modelo de rosca desenvolvido por Raworth como um guia para o que significa países, cidades e pessoas prosperarem em equilíbrio com o planeta.
 
O livro mais vendido de Raworth em 2017, Donut Economics: Sete maneiras de pensar como um economista do século XXI , enfeitou a mesa de cabeceira de pessoas que vão do ex-secretário do Brexit David Davis ao colunista do Guardian George Monbiot, que o descreveu como uma “alternativa inovadora ao economia de crescimento ”.
 
O anel interno de sua rosquinha estabelece o mínimo necessário para levar uma vida boa, derivada dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU e acordada pelos líderes mundiais de todas as faixas políticas. Ela varia de alimentos e água potável a um certo nível de moradia, saneamento, energia, educação, saúde, igualdade de gênero, renda e voz política. Qualquer pessoa que não atinja esses padrões mínimos está vivendo no buraco da massa.
 
O anel externo da rosquinha, para onde vão os granulados, representa o teto ecológico traçado pelos cientistas do sistema terrestre. Ele destaca os limites através dos quais a espécie humana não deve ir para evitar danos ao clima, solos, oceanos, camada de ozônio, água doce e biodiversidade abundante.
 
Entre os dois anéis está a coisa boa: a massa, onde as necessidades de todos e as do planeta estão sendo atendidas.
 
Na quarta-feira, o modelo será formalmente adotado pelo município de Amsterdã como ponto de partida para decisões de políticas públicas, a primeira cidade do mundo a assumir esse compromisso.
 
“Acho que isso pode nos ajudar a superar os efeitos da crise”, disse a vice-prefeita de Amsterdã, Marieke van Doorninck, que se juntou a Raworth em uma entrevista com o Guardian via Skype antes do lançamento. “Pode parecer estranho que estejamos falando sobre o período seguinte, mas como governo precisamos fazê-lo … É para nos ajudar a não recorrer a mecanismos fáceis”.
 
“Quando, de repente, precisamos nos preocupar com clima, saúde, empregos, moradia, assistência e comunidades, existe alguma estrutura que possa nos ajudar com tudo isso?” Raworth diz. “Sim, existe e está pronto para ir.”
 
A premissa central é simples: o objetivo da atividade econômica deve ser o de atender às principais necessidades de todos, exceto dentro dos meios do planeta. O “donut” é um dispositivo para mostrar o que isso significa na prática.
 
Raworth reduziu o modelo para fornecer a Amsterdã um “retrato da cidade” mostrando onde as necessidades básicas não estão sendo atendidas e as “fronteiras planetárias” ultrapassadas. Ele exibe como os problemas estão interligados.
 
“Não é apenas uma maneira moderna de ver o mundo”, diz Van Doorninck, citando a crise imobiliária como exemplo.
 
Cada vez mais, as necessidades de moradias dos moradores não são atendidas, com quase 20% dos inquilinos da cidade incapazes de cobrir suas necessidades básicas depois de pagar o aluguel e apenas 12% dos aproximadamente 60.000 solicitantes on-line de moradias sociais são bem-sucedidos.
 
Uma solução pode ser a construção de mais casas, mas o donut de Amsterdã destaca que as emissões de dióxido de carbono da área estão 31% acima dos níveis de 1990. As importações de materiais de construção, alimentos e produtos de consumo de fora dos limites da cidade contribuem com 62% do total de emissões.
 
Van Doorninck diz que a cidade planeja regulamentar para garantir que os construtores usem materiais que sejam frequentemente reciclados e com base biológica, como madeira. Mas a abordagem do donut também incentiva os formuladores de políticas a levantar os olhos para o horizonte.
 
“O fato de as casas serem caras demais não tem a ver apenas com a pouca construção. Há muito capital circulando pelo mundo tentando encontrar um investimento, e agora o setor imobiliário é visto como a melhor maneira de investir, de modo que aumenta os preços ”, diz ela.
 
“O donut não nos fornece as respostas, mas uma maneira de vê-lo, para que não continuemos nas mesmas estruturas que costumávamos”.
 
O porto de Amsterdã é o maior importador mundial de grãos de cacau, principalmente do oeste da África, onde o trabalho é frequentemente altamente explorador.
 
Como empresa privada independente, poderia rejeitar esses produtos e sofrer o impacto econômico, mas ao mesmo tempo quase uma em cada cinco famílias em Amsterdã se qualifica para receber benefícios sociais devido à baixa renda e economia.
 
Van Doorninck diz que o porto está analisando como passa da dependência de combustíveis fósseis como parte da nova visão da cidade, e espera que isso evolua naturalmente para um debate mais amplo sobre outros dilemas prementes trazidos à tona pelo modelo de rosca.
 
“Isso dá espaço para discutir se você quer ser o local onde os produtos estão sendo armazenados, produzidos por trabalho infantil ou por outras formas de exploração do trabalho”, diz ela.
 
Raworth acrescenta: “Quem poderia esperar em um retrato da cidade de Amsterdã que você incluísse direitos trabalhistas na África Ocidental? E esse é o valor da ferramenta. ”
 
Ambos reconhecem a necessidade de o governo nacional e as autoridades supranacionais participarem. A última reunião de Raworth, pouco antes do confinamento na Bélgica, foi com a comissão européia em Bruxelas, onde ela afirma ter expressado grande interesse.
 
“O mundo está passando por uma série de choques e impactos surpreendentes que nos permitem mudar da ideia de crescimento para ‘próspera’, diz Raworth. “Prosperar significa que nosso bem-estar está em equilíbrio. Nós o conhecemos tão bem no nível do nosso corpo. Este é o momento em que conectaremos a saúde corporal à saúde planetária. ”
 
• Este artigo foi alterado em 8 de abril de 2020 para remover um zero supérfluo da figura de aplicativos on-line para habitação social, que é de 60.000.
 
Originalmente publicado no jornal The Guardian
https://www.theguardian.com/world/2020/apr/08/amsterdam-doughnut-model-mend-post-coronavirus-economy

 




Para Beto Tricoli, pandemia do Coronavírus provoca reflexão e estimula a organização do PV paulista

Por Marco Sobreiro

 

Durante o período de quarentena por conta da pandemia do Coronavírus, o Partido Verde tem realizado videoconferências, debates internos e trabalhado continuamente em seu processo de organização para as eleições municipais deste ano. O secretário de organização do partido no Estado de São Paulo, arquiteto Beto Tricoli, entende que o momento deve ser de respeito e obediência às determinações das autoridades de saúde, adotando as boas praticas de higienização e o isolamento, mas acredita que o período também é oportuno para o amadurecimento partidário.

“Diante de uma crise de saúde pública de proporções ainda não vivenciadas pela população (a última pandemia ocorreu há mais de 100 anos – a gripe espanhola, em 1918), não devemos priorizar as eleições. Há possibilidade do pleito ser adiado se não houver reversāo imedita no crescimento de casos de contaminação. O calendário eleitoral fica em segundo plano. Mas esse mesmo momento tem sido útil também para uma reflexão sobre o que queremos para o futuro das nossas cidades”, afirma.

Tricoli entende que essa reflexão passa por áreas como a saúde, a mobilidade, a competência e capacidade dos dirigentes no enfrentamento da crise. ”Será preciso rever os padrões de consumo e produção, da qualidade da alimentação, da saude das famílias, o custo das coisas, o que é realmente importante. Recuperar a economia, o emprego e a formação de nossos jovens após a crise. Temos de repensar nossas escolhas, e isso deve ter reflexos diretos nas eleições municipais”, observa.

Beto foi vereador, prefeito de Atibaia por dois mandatos, deputado estadual e secretário estadual de Turismo. No PV desde 1988, assumiu a Secretaria de Organização do Partido no Estado no final de 2019, após a morte do colega Ricardo Silva. Tem atuado desde então junto à equipe de Coordenadores Regionais para dar continuidade ao trabalho e fortalecimento dos quadros partidários. Ele afirma que os candidatos que disputarão as próximas eleições pelo PV deverão assumir maior identidade programática com o partido e com seus valores e princípios, como a sustentabilidade, a gestão eficiente e ética, o planejamento e o respeito ao meio ambiente e à vida.

Para Tricoli, as eleições de 2018 foram marcadas por um voto de protesto, o que não deve ocorrer novamente em 2020. Segundo ele, questões ligadas ao cotidiano das cidades, como a prevenção às enchentes, o trânsito, o saneamento e a infraestrutura, a necessidade do crescimento planejado, além da própria pandemia do Coronavírus, devem estimular o pensamento crítico dos eleitores. “As pessoas estão preocupadas e atentas ao futuro de suas cidades. Para isso, querem pessoas preparadas e com propostas concretas e eficientes para melhorar suas vidas e suas perspectivas de futuro”, diz.

Em números, Tricoli afirma que o PV estará presente em mais de 40% dos municípios do Estado de São Paulo disputando eleiçōes. O mesmo acontecerá na Capital Paulista, onde o partido avança para lançar candidatura própria com chapa completa de vereadores: “Ganhamos lideranças novas, bem preparadas, também perdemos alguns quadros durante a janela partidária, mas entendo que o saldo foi muito positivo e ganhamos qualidade”, finaliza.




Comitê Mundial dos Partidos Verdes (Global Greens) e a Covid-19

O COVID-19 nos afeta a todos, revelando a nossa interdependência e da solidariedade necessária para superar os desafios globais.

Na crise que subir para a ocasião. Agora é mais importante do que nunca para a solidariedade global para garantir a saúde e a segurança de todos. Como Verdes continuamos defendendo políticas para apoiar os mais vulneráveis ​​e para garantir que as políticas de assistência social – especialmente para os idosos, doentes, refugiados, aqueles com finanças frágeis, e as nossas primeiras equipes de emergência.

Reconhecemos que, mesmo quando nos dirigimos a urgência desta pandemia, ainda estamos confrontados com a crise em curso da mudança climática. Ambos exigem a cooperação internacional, as contribuições individuais e uma reestruturação dos sistemas atuais.

Partidos Verdes a nível mundial estão a responder a COVID-19 com a legislação de apoio e política que mobiliza recursos para enfrentar a crise imediata, ao mesmo tempo, colocando em soluções lugar para riscos endereço de longo prazo.

federações regionais nossa Global Green destacar a foto maior de impacto COVID-19 do em nossas sociedades e a urgência para todos os governos a priorizar a justiça social, sustentabilidade e solidariedade. Leia as declarações abaixo.

indivíduos verdes também estão a tomar medidas para aumentar a conexão global e compaixão. A seguir estão algumas mensagens de Greens em todo o mundo. Convidamos você a continuar o diálogo na nossa página de Facebook aqui .

O Global Greens irá atualizá-lo até Junho de 2020 relativo à qualquer impacto de COVID-19 em nosso Congresso planejado global Greens na Coreia do Sul (2021).

Como Verdes respondemos ao desafio vezes com um ativismo revigorado de cuidar uns dos outros e criar o futuro juntos. Nossos corações, mentes e ações estão com todos vocês.

Atenciosamente,

Comité de Coordenação Global Greens




Henrique Magalhães Teixeira, vice-prefeito de Campinas, filia-se ao PV

O Partido Verde segue se fortalecendo e recebendo novas lideranças políticas comprometidas com seus ideais de defesa do meio ambiente, sustentabilidade, pluralidade e eficiência administrativa. O vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães, oficializou sua filiação ao PV no dia 3 de abril, dentro do prazo legal de mudança partidária. A novidade foi anunciada durante entrevisa coletiva por videoconferência para a imprensa na segunda-feira, dia 6 de abril.

O presidente do PV de Campinas, que também é secretário municipal do Verde e pré-candidato a prefeito da cidade, Rogério Menezes, fez o anúncio e propôs uma série ações, como a busca de convergência sobre propostas para o futuro da cidade, abertos para as entidades representativas e outras pré candidaturas com a visão de união em um momento de epidemia tão difícil como o atual.

Menezes destacou a importância da filiação de Henrique Magalhães Teixeira, “um líder jovem, de caráter, transparente, sério, parceiro nos projetos e ações de sustentabilidade da Secretaria do Verde”. Um exemplo foi sua atuação na viabilização da área para o novo Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal junto ao Ministério da Agricultura.

Rogério Menezes frisou ainda a “materialização de 9 em 9 pontos (100%) do acordo do PV relativo ao apoio no segundo turno na 1ª eleição de Jonas Donizette em 2012”. Segundo ele, a sociedade “clama por um debate republicano e democrático de agenda programática, mostrando que o momento de epidemia exige unidade, convergência e tranquilidade”.

Para Henrique Teixeira, a situação do Coronavírus força a Administração a se adaptar a uma nova realidade, será um divisor de águas, que nos rever planos e projetos para o futuro. Para ele, todo o foco deve estar no combate à epidemia, sendo a filiação uma mera formalidade, por conta do prazo da legislação eleitoral, que terminou no dia 4 de abril.

 

Entrevista coletiva concedida após a filiação

 

            Reinaldo Canto, da Envolverde e Carta Capital: Sobre a trajetória do Henrique em Campinas e motivo de ingressar ao PV.

Henrique Magalhães Teixeira: Desde o primeiro dia de governo houve uma afinidade grande entre a agenda proposta pelo Rogério Menezes e um aprendizado com a equipe da Secretaria do Verde nos temas da sustentabilidade.

Tereza Costa (Correio Popular): O que o levou a sair do PSB?

Henrique Magalhães Teixeira: Interesse pela agenda da sustentabilidade. O Rogério Menezes e o PV tem olhar programático e dá importância para a questão do conteúdo de forma diferenciada, primando pela qualidade e com vistas às adaptações ao que acontece na sociedade e no município.

 

Tereza Costa (Correio Popular): Vai se candidatar a vereador?

Henrique Magalhães Teixeira: O menos importante é abordar candidaturas nesse período, mas antes da pessoa/personagem, é preciso construir a plataforma e o conteúdo programático muito bem dialogado com a sociedade.

 

            Tereza Costa (Correio Popular): Você não teria esse espaço no PSB?

Henrique Magalhães Teixeira: A questão não é essa. A pandemia do Coronavírus nos faz rever prioridades e visões. Nos faz olhar adiante e a partir do contexto juntar pessoas, propor algo claro e de qualidade para o futuro do Município. O “personagem” para representar o PV na campanha a prefeitura pode ficar pra mais adiante.

 

            Maraísa Ribeiro: Em que medida se pode ter esperança de que alguma coisa mude em termos ambientais e que os políticos e órgãos ligados ao meio ambiente possam ter voz?

Rogério Menezes: O momento é delicado na situação das políticas públicas voltadas para a sustentabilidade. Os ministros das últimas quatro décadas podiam avançar, um pouco mais, um pouco menos, mas todos na linha da política nacional de meio ambiente preconizada pelo professor Paulo Nogueira Neto. Agora estamos com um governo frontalmente contrário a políticas ambientais. Mas hoje o meio ambiente está na pauta nacional e internacional, esse é o lado positivo.

 

Henrique Magalhães Teixeira: As pessoas estão entendendo o momento histórico em que estamos vivendo. Nesses momentos, podemos pensar em como se reinventar, como levar maior benefício a sociedade a partir do nosso trabalho e da nossa convivência.

 

            Reinaldo Canto: Que oportunidades podem ser colocadas em prática para as questões socioambientais? (mudanças de hábito, desenvolvimento transformador)

Henrique Magalhães Teixeira: Os temas são variados. Segundo uma avaliação as pessoas estão produzindo 20% a mais que presencialmente. Elas estão gastando menos combustível, podendo amadurecer no relacionamento familiar. Podemos ter esse momento como um laboratório e ver que nos levou a fazer melhor do que faziamos antes.

 

            Dantas, da Rádio TOP FM: Elogia a decisão por “tomada de consciência” e não por conchavos e fisiologismos. Seria esse o caminho?

Henrique Magalhães Teixeira: Hoje temos consciência global de humanidade: todos estamos ligados e vulneráveis a problemas globais. A ampliação da consciência será o melhor caminho.

 

            Dantas, da Rádio TOP FM: As pessoas acordaram para a solidariedade? Elogia a forma da entrevista tecnológica, que economiza tempo, stress e recursos ambientais.

Henrique Magalhães Teixeira: Complementa que a tecnologia vai ser usada cada vez mais de forma inteligente, criando, inclusive maior objetividade.

 

Rogério Menezes: O olhar para a cidade precisa pensar em novos ciclos de prosperidade econômica, destacando o desafio da inclusão e melhoria social de cerca de cerca de 25% dos campineiros. Um exemplo é a regularização fundiária, esperada por mais de 240 mil pessoas.

 

Dantas, da Rádio TOP FM: Haverá mudança no tratamento com o prefeito uma vez que deixa o PSB e vai para o PV, que tem pretensão de um vôo “solo”?

Henrique Magalhães Teixeira: O Jonas me apoiou e entendeu as minhas motivações. Esse governo faz parte da nossa biografia e temos que contribuir para a harmonia do ambiente político, porque traz mais resultados a cidade.

 

            Dantes, da TOP FM, pergunta para Rogério Menezes: Quais os planos para o futuro?

Rogério Menezes: Há 2 trabalhos remotos em curso: Na Secretaria do Verde de Campinas, parcialmente em trabalho à distância, e na promulgação de leis importantes para a gestão ambiental (ex: PL do Clima). E na atuação política no PV com candidatos a vereadores, em grupos fechados por videoconferências.

 

Que se espalhe o vírus da solidariedade e o amor!




Nizan Guanaes: Guernica Viral

Saí da quarentena. Tive o vírus, mas não tive sintomas. Teoricamente, estou imune. Mas te digo: não é uma gripezinha. Foram 14 dias de insônia. Como será que eu vou acordar amanhã?

Quero mudar radicalmente a minha vida quando tudo voltar ao normal. Porque tudo não vai voltar ao normal. Posso estar imune ao vírus, mas meu filho mora em Nova York. Não estou imune ao vírus.

O mundo vai mudar depois dessa pandemia, como mudou nas antecedentes. As mudanças de comportamento e de consumo serão duradouras. Será que vamos frequentar lugares públicos e eventos da mesma forma? Acho que não.

Os dados são tão novos e não param de mudar. Ainda não temos software para decifrá-los, mas eles já estão rodando no sistema. Se fosse uma empresa, chamaria antropólogos, filósofos, cientistas sociais, engenheiros de comportamento para entender o que aconteceu e acontecerá.

Depois que fiquei doente, decidi mudar o padrão de consumo. Vou doar ou descartar metade das minhas coisas. Quero comprar saúde, conhecimento.

Já estou perdendo dois amigos para o vírus. E sei que vou perder mais. Meus três médicos foram infectados. Não tem mimimi. Estamos em guerra. Chega de divisão. Vamos deixar pra brigar em outubro. Tá marcado?

Mas, agora, eu torço pelo ministro Mandetta, eu torço pelo Paulo Guedes, eu torço pelo João Doria. E acho importante o bumbo que eles estão tocando: fique em casa!

Já estou perdendo dois amigos, ou será que a esta altura do texto serão três? A Covid-19 fica cada vez mais dramática no Brasil porque ela está ganhando rostos e números, que crescem rapidamente.

Brigar ideologicamente neste momento é um crime contra a humanidade. O Brasil nunca passou por uma guerra como esta. Eu não vou torcer contra. Eu torço para dar certo.

Quando você está com o vírus, a perspectiva é pragmática: cura. Eu posso estar imune ao vírus. Mas meu filho mora em Nova York. Eu não estou imune. Você acha que eu assisto ao jornal como? Com o coração na mão.

Não tive sintomas, mas tive insônia, medo, costas travadas. É óbvio que a preocupação de as empresas quebrarem é muito legítima. Não existe essa dicotomia. Estamos vivendo uma pandemia econômica também. Vamos tratar das duas.

O medo será um bom conselheiro. Ele vai dizer aos homens: chega! Chega de querer ter razão. As UTIs estão cheias, os médicos começam a ficar doentes como seus pacientes, as ruas estão vazias, pessoas e empresas estão quebrando. Isso não é hora de fazer política.

Na Primeira Guerra Mundial, numa noite de Natal, alemães e ingleses pararam a luta insana e jogaram bola para celebrar a data. O medo, as mortes e as falências vão chamar a gente à razão. Você acha que Churchill e Roosevelt eram amigos de Stálin? Não. Mas foram aliados contra um inimigo comum e devastador para estarmos aqui hoje.

Perdi dois amigos, ou à altura deste texto serão quatro? Esta hora pede de nós grandeza, compaixão. Reze pelo meu filho. Eu rezo pelo seu.

Falar de política virou terreno pantanoso. Este texto não é sobre política. Ele é sobre doença, dor, morte, desespero —uma Guernica viral.

Então o que eu proponho é trégua ideológica e união nesta luta. Este é o único desejo da filha de um senhor de 75 anos sentindo muita falta de ar, mas que não consegue quarto para interná-lo.

Porque, enquanto você lia este texto, eu e você já perdemos amigos. E a morte, minha cara leitora, meu caro leitor, é suprapartidária.

 

Artigo originalmente publicado no jornal Folha de São Paulo




Para Eduardo Jorge, Bolsonaro é hoje um fator de alto risco para o País

Por Marco Sobreiro

“O presidente é hoje um fator de alto risco. Precisa ser removido já. O Brasil precisa de um esforço coordenado de união nacional”. Com esta frase, o médico sanitarista e membro da Executiva Nacional do PV Eduardo Jorge resume sua opinião sobre o presidente Jair Bolsonaro diante do atual momento do Brasil, marcado pela pandemia do novo Coronavírus e por uma grave crise econômica com reflexos diretos sobre a população mais pobre.

Com ampla experiência a área médica, principalmente nos conselhos populares de saúde, Eduardo Jorge tem utilizado as redes sociais para se manifestar sobre as ações necessárias no combate à pandemia do Coronavírus. Ex-deputado federal, ele defende a realização de mais testes, como forma de detectar precocemente os afetados, garantindo isolamento, orientação e apoio, investigando o entorno dos pacientes com mais testes.

“Como o teste mais amplo não pode conflitar com o maior isolamento social possível, poderíamos priorizar a busca ativa nos segmentos do povo que continuam tendo que trabalhar fora de casa e nos bairros mais pobres onde o isolamento é, por questões óbvias, mais difícil de ser praticado”, afirma, em publicação em sua conta do Facebook.

Eduardo Jorge também aborda a importância do “seguro solidário”, levando em conta o fato do Brasil ser o país que possui o maior número de trabalhadores chamados domésticos, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT/ONU). São 7 milhões, o que significa uma média 3 pessoas para cada 100 habitantes. E apenas 1,5 milhão têm carteira assinada.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU), a maior concentração de trabalhadores domésticos coincide com os piores coeficientes de desigualdade. É uma população predominantemente feminina que inclui faxineiras, cozinheiras, lavadeiras, babás, copeiras, jardineiros, etc. Portanto, é uma questão a ser tratada nas reformas que precisam ser feitas para que o Brasil seja país mais equilibrado, justo e sustentável.

“Isso não é coisa que se consiga hoje ou amanhã. E o hoje e o amanhã no Brasil e no mundo é a pandemia COVID-19. Assim quero apelar para uma atitude solidária que vai ajudar a população mais pobre a suportar os próximos 3 ou 4 meses de pico da epidemia e ao mesmo tempo ajudar a combatê-la”, observa Jorge, que em 2014 foi o candidato do PV à Presidência da República.

A sugestão de Eduardo Jorge é que estes trabalhadores sejam dispensados para ficar em suas casas e que seus salários, é claro, sejam pagos normalmente por seus empregadores. Tanto para os que têm carteiras assinadas como os informais. Sem esquecer diaristas que trabalham um ou dois dias por semana. “Isto garante o necessário isolamento social e a sustentação econômica de uma grande parcela da população brasileira mais pobre. Cumpre uma das mais importantes orientações das autoridades sanitárias para atravessarmos este período difícil até agosto de 2020. Quando voltarmos deste enfrentamento ao COVID-19, poderemos nos reencontrar com um sabor diferente.




Que se espalhe o vírus da solidariedade e da união

Por Rogério Menezes

– A epidemia deve ser levada muito a sério (#ficaemcasaCampinas ;#ficaemcasaBrasil) para se tentar impedir o crescimento exponencial de infectados (já mais de 300 mil no mundo) e de mortes (infelizmente já superam 19 mil). “Achatar a curva” significa retardar a transmissão e assim manter a demanda por serviços de saúde abaixo ou próxima da nossa capacidade de realizar os atendimentos adequados. A progressão exponencial pode nos levar a situação ainda mais grave no nosso sistema único de saúde.
– O momento é de unidade, maturidade das lideranças, Ministro da Saúde, Governadores, Prefeitos, Secretários municipais, cada um fazendo a sua parte na sua esfera de atuação. Disputa política no atual momento só favorece a disseminação do Coronavirus por prejudicar a coordenação e articulação das ações.

– Minha mãe é médica. Meu falecido pai era médico, fiz alguns anos de medicina, antes de regressar para área ambiental e de gestão pública. Nesse momento informações corretas e conhecimento científico são nossos ativos mais valorosos.
– Sim, estão previstos duros impactos econômicos, com piora do cenário que já não era bom, mas era de crescimento na casa de 1%. Há que se ter medidas para proteger os mais vulneráveis, os pobres, os desempregados, as pequenas empresas, ao mesmo tempo em que se mantém o isolamento social, sem negar a realidade, sem inconsequência, com preparo e equilíbrio, os líderes do presidente da República ao prefeito da menor cidade devem se dedicar a minorar os impactos.
– O tempo é também de reflexões: após a crise seguiremos fazendo mais do mesmo? A destruição de habitats tem aumentado a diversidade de fauna nos centros urbanos cada vez mais populosos e adensados. Após a epidemia o que faremos a respeito? A recuperação da vegetação das margens dos córregos e rios urbanos fará a fauna circular ao ligar fragmentos vegetais e isso reduzirá os riscos de novas epidemias. É preciso colocar na pauta política essa discussão.
– Enfim o momento é de solidariedade e amor ao próximo. Vamos conversar com nossos prestadores de serviços e chegar a um acordo que não passe por decisões frias sobre dinheiro apenas. Vc vai dispensar sua diarista e parar de pagá-la? A hora é de colocar em prática os valores que dizemos ter, no meu caro os valores cristãos, mas isso vale pra todas as religiões.
-Cada vida deve ter o mesmo valor. Que história é essa de relativizar mortes? Minha mãe tem hoje 76, minhas tias todas mais de 60, avós já não estão entre nós. Daqui a menos de uma década eu terei mais de 60 anos. Que desumanidade diminuir a importância da epidemia por que são os idosos que estão morrendo em maior quantidade. Profundamente lamentável esse argumento. Espero sinceramente não ter que ouvir isso de novo.
– Esses são os pontos principais na minha visão (por certo incompleta)
– Veja entre os que lhe são mais próximos os que estão precisando. Ajude entidades sérias. Uma rede se solidariedade deve se formar com cada um fazendo algo. Há pessoas e animais nas ruas que precisam de alimentos. Não vamos esperar, vamos fazer. Que se espalhe o vírus do amor e da solidariedade para que possamos sair melhores quando passar essa epidemia, por certo mais preparados para as próximas.




Nota de repúdio da banda de deputados federais do Partido Verde

Os deputados federais da Bancada do Partido Verde repudiam veementemente das declarações do Presidente da República, Jair Bolsonaro, que em seu terceiro pronunciamento em rádio e televisão sobre a crise do novo coronavírus, criticou o fechamento de escolas e do comércio, atacou governadores e culpou a imprensa pelo que considera um clima de histeria instalado no país.

Para o Partido Verde, a saúde e a vida vêm sempre em primeiro lugar e defende, em consonância com a LOAS, “a supremacia do atendimento às necessidades sociais sobre as exigências da rentabilidade econômica”.

O pronunciamento do presidente foi na contramão de tudo o que cientistas e governantes do mundo todo – das mais variadas posições ideológicas – vêm adotando para combater o avanço do COVID-19. Afrontou, inclusive, a própria realidade apresentada diariamente pelo seu Ministro da Saúde: é necessário lembrar que estamos na fase inicial da pandemia no Brasil e já são mais de 2.200 casos confirmados de coronavírus no Brasil e 48 mortes.

A bancada do Partido Verde no Congresso Nacional continuará cobrando do Governo Federal um plano efetivo de políticas públicas para salvar vidas e, nesse período emergencial, garantir recursos para aliviar o sofrimento dos brasileiros que passarão por dificuldades econômicas oriundas desta crise.

Reconhecemos que a economia não vai se recuperar rapidamente, mas nesse momento precisamos fortalecer o SUS, através da execução de um fundo que disponha dos recursos e da agilidade necessários ao combate às consequências do coronavírus.

Reforçamos nossa convicção de que remover as medidas sanitárias agora é uma sentença de morte para milhares de brasileiros. Salientamos nosso apoio as medidas emergências, tomadas por governadores e prefeitos, já que proporcionarão a redução da velocidade da contaminação, o que permitirá aos estados e municípios se prepararem para um quadro de saturação do sistema de saúde.

Medidas de relaxamento do isolamento social, quando forem discutidas, devem ser tratadas com a maior prudência possível. Não é admissível que se minimizem os efeitos da pandemia. Não é admissível que o Presidente da República dê orientações divergentes e contraditórias. Não é admissível que se aprofundem divisões e se façam cálculos políticos a essa altura dos acontecimentos.

Só passaremos por essa crise unindo as forças que defendem a vida. Esse é o momento de todos nós que acreditamos na política como espaço de construção do bem comum.

Por fim, agradecemos e desejamos um bom trabalho a todos os profissionais de saúde, que estão na linha de frente para ajudar a salvar a vida de milhares de brasileiros.

Liderança da Bancada de Deputados Federais do Partido Verde




Resposta dos Verdes Europeus à crise do COVID-19

Raramente antes, uma crise de tal escala impactou tantos, em tão pouco tempo, em todo o planeta. Este é um desafio sem precedentes para nossas sociedades, que a humanidade deve enfrentar juntas. Solidariedade e cooperação ambiciosa, não nacionalismo ou egoísmo, garantirão que saímos desta crise mais fortes e mais sábios. Não devemos deixar ninguém para trás e encarar isso juntos com corações abertos.

Nós, os verdes europeus, estamos unidos para participar da resposta à pandemia. Juntos, 

•  Expressamos nossa sincera simpatia por todos aqueles que foram infectados pelo vírus e estão lutando por suas vidas, bem como com suas famílias e amigos; compartilhamos a tristeza daqueles que perderam entes queridos pela doença. 

•  Afirmamos nossa solidariedade e profundo apreço por aqueles que estão arriscando suas vidas ao cuidar dos afetados pelo vírus. Ninguém pode superestimar a contribuição que deram às nossas sociedades; isso não deve e não será esquecido. Da mesma forma, não podemos agradecer o suficiente a todos os trabalhadores que garantem a manutenção de serviços essenciais, arriscando sua própria saúde todos os dias.

•  Saudamos as iniciativas e soluções criativas das pessoas comuns e da sociedade civil organizada em toda a UE, que estão ajudando nossas sociedades a lidar com nossa nova realidade diária. Também valorizamos profundamente o papel dos governos e administrações locais que estão na linha de frente na gestão desta crise no terreno. 

•  Saudamos os sinais de solidariedade que testemunhamos entre países e regiões. Ao mesmo tempo, lamentamos veementemente a falta de solidariedade dos Estados-Membros da UE demonstrada durante esta crise, em particular em relação à Itália, cujo pedido de suprimentos médicos permaneceu sem resposta, e à Espanha, também fortemente afetada pela situação atual. Solicitamos a todos os Estados Membros e às instituições da UE que coordenem junto com todos os estados europeus em nossa região, a fim de garantir a produção mais estratégica e o uso mais eficiente de suprimentos médicos, troca de informações e conhecimentos, apoio econômico e também a continuação da livre circulação de mercadorias, a fim de evitar possíveis carências de bens básicos.

•  O setor privado mostrou exemplos brilhantes de capacidade de resposta e criatividade para responder à crise. Mas aqui também estamos testemunhando tentativas de tirar vantagem indevida, explorando as ansiedades legítimas da população. Em particular, nos opomos fortemente a todas as tentativas de coleta em massa de dados pessoais, seja por instituições públicas ou privadas. 

•  Reconhecemos que os governos da UE estão agora agindo, de boa fé, para identificar a melhor maneira de superar a crise da saúde e suas conseqüências sociais e econômicas. Onde quer que os Verdes estejam no governo ou em oposição, não estamos poupando esforços para contribuir com os objetivos comuns. 

•  No entanto, estamos gravemente alarmados com as ações unilaterais de certos governos da UE, particularmente no que diz respeito às medidas de emergência. Qualquer restrição aos direitos fundamentais e humanos deve ser o mais limitada possível em sua duração e, em qualquer caso, efetiva, mas não desproporcional. Estamos muito preocupados com as tentativas de alguns governos de se beneficiar politicamente da pandemia. A crise não deve ser usada como pretexto para a destruição de freios e contrapesos democráticos, nem dos direitos sociais e trabalhistas. Os governos devem permanecer responsáveis, e poderes extraordinários devem ser aplicados de boa fé. 

•  Congratulamo-nos com os compromissos já assumidos a nível da UE pela Comissão e pelo BCE de fazer o que for necessário para mitigar as consequências económicas e sociais desta crise, em particular no que se refere à suspensão do Pacto de Estabilidade e Crescimento, bem como plano quantitativo de flexibilização do BCE, mas acreditamos que eles devem ir além. Exigimos, em particular, assistência financeira aos Estados-Membros mais severamente afetados, através de doações e empréstimos a juros baixos, sem qualquer condicionalidade politicamente perigosa. Os governos e as instituições da UE devem trabalhar juntos para criar urgentemente eurobonds para ajudar a aumentar o financiamento necessário para as políticas de saúde e recuperação. 

•  Também instamos os Estados Membros e a UE a se coordenarem, a fim de prever medidas fortes para evitar a perda maciça de empregos e estabilizar a renda dos trabalhadores afetados, particularmente os mais vulneráveis. No período imediatamente após a crise, precisaremos de um pacote de investimentos, que deve se concentrar em pequenas e médias empresas, trabalhadores solitários e contribuir para direcionar nossa economia para uma transição socioecológica. 

•  Reconhecemos a dimensão global desta crise e a solidariedade que os países europeus já foram oferecidos por muitos Estados não europeus. Do mesmo modo, a solidariedade da UE não deve parar nas fronteiras da UE, a UE deve fornecer a ajuda humanitária necessária e os melhores recursos médicos, principalmente para os países do Sul Global. A UE deve garantir a colaboração máxima com a OMS e outros organismos internacionais para desenvolver uma resposta médica eficaz (cooperação em pesquisa para vacinas, etc.) e compartilhar essa pesquisa. 

Ao enfrentar a crise, acreditamos que nossa bússola comum deve ser guiada pelos seguintes elementos: 

1.  Devemos garantir coletivamente que ninguém seja deixado para trás, especialmente aqueles que são mais vulneráveis ​​dentro e à margem de nossas sociedades. De maneira alguma nossa administração de crises deve aprofundar a injustiça e a exclusão. Acreditamos, em particular, que a gestão desta crise não deve impedir a UE e os seus Estados-Membros, juntamente com outros países europeus, de agir com urgência e responsabilidade para aliviar a situação cada vez pior nos campos de refugiados nas ilhas gregas. Os campos de refugiados nessas ilhas devem ser evacuados para garantir acesso seguro aos cuidados de saúde, quarentena e outras medidas apropriadas contra o coronavírus. 

2.  Uma resposta eficaz, eficiente e duradoura à crise exige ação coletiva. Proteger vidas significa deixar para trás estreitos interesses nacionais ou econômicos. Nesse sentido, embora saudemos os esforços de coordenação das instituições da UE até agora, elas devem agora mudar para um papel de liderança. 

3.  Encontrar respostas para a crise exige que ajamos e pensemos imediatamente, principalmente em termos de política macroeconômica. Organizações, leis, regras e procedimentos devem ser criados para servir a vida, e não o contrário. 

4.  Os sistemas de saúde públicos, gratuitos e bem financiados são e devem permanecer a espinha dorsal de nossos estados de bem-estar e a UE deve se esforçar por mais cooperação entre eles e por mecanismos para apoiá-los ainda mais. Queremos transformar esta crise no ponto de partida para mais integração europeia, rumo a uma Europa mais forte, mais verde e mais social. 

Não se engane: a maneira como lidamos com essa crise e nossa capacidade de coordenar e apoiar-se mutuamente pode danificar irremediavelmente o projeto europeu e nossas democracias como as conhecemos; ou, inversamente, pode reforçar ambos. 

Estamos convencidos de que, uma vez superada a crise, não haverá como voltar aos negócios como de costume, nem pode ser usada como álibi para políticas severas de austeridade, como foi o caso após a crise financeira global. Como a mudança climática, que continuará sendo um desafio urgente e existencial, a pandemia questiona profundamente a forma como nossas sociedades estão organizadas, a maneira como vivemos neste planeta e uma série de políticas convencionais. Mais do que nunca, precisamos coletivamente de uma nova bússola; nessa perspectiva, a crise do COVID-19 reforça a necessidade absoluta de iniciativas transformadoras, como um ousado acordo verde europeu e um reinvestimento maciço em serviços públicos de qualidade, sobretudo no setor da saúde. Somente então essa crise levará a sociedades mais justas, mais sustentáveis ​​e mais democráticas.

Fonte: https://europeangreens.eu/news/european-greens-response-covid-19-crisis